Itaúna, domingo, 12 de fevereiro de 2012 às 21:43:11

Caso Eloá: júri começa amanhã

Previsão é que o julgamento dure entre três e quatro dias

Começa amanhã o julgamento do caso da jovem Eloá Pimentel, 15, morta em 2008 após passar cerca de cem horas refém de seu ex-namorado Lindemberg Alves, 25. O réu vai a júri popular no fórum de Santo André (Grande São Paulo), e a previsão é que o julgamento, conduzido pela juíza Milena Dias, dure de três a quatro dias.

 

Na última semana, a mãe da adolescente disse não ver a hora de o veredicto ser dado. "Eu quero paz, eu quero que isso tudo acabe para eu ter paz com os meus filhos e ficar só lembrando dos momentos bons com a minha filha", disse Ana Cristina Pimentel .

 

Emocionada, a mãe de Eloá afirmou que só conseguirá ter paz quando Lindemberg responder pelos crimes que cometeu. "Não consegui ver nos olhos dele arrependimento algum por tudo que fez com a minha filha. Será uma proteção à sociedade. Até para que ele não faça a mesma coisa que fez com a minha filha com a filha dos outros", disse.

 

Responsável pela acusação contra Lindemberg, a promotora Daniela Hashimoto disse que a mãe da jovem não será convocada como testemunha no julgamento. Mesmo reconhecendo o apelo emocional da participação da mãe da jovem frente aos jurados, a promotora disse que não a convocou porque Ana Cristina não participou das negociações com o réu.

 

O crime. Inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg Fernandes Alves, na época com 22 anos, invadiu o apartamento de Eloá Cristina Pimentel, 15, na periferia de Santo André, na Grande São Paulo, no dia 13 de outubro de 2008.

 

Armado, ele fez reféns a ex-namorada e outros três amigos dela, que estavam reunidos para fazer um trabalho da escola. Em mais de cem horas de tensão, Lindemberg chegou a libertar todos os amigos, mas Nayara Rodrigues, 15, retornou ao cativeiro para tentar convencer Lindemberg a libertar a amiga. Ele puxou Nayara para o apartamento e não a libertou.

 

Policiais militaresdo Gate invadiram o apartamento, afirmando que ouviram um estampido do local. Em seguida, foram ouvidos tiros. Dois deles atingiram Eloá, um na cabeça e outro na virilha, e outro atingiu o nariz de Nayara. Eloá morreu horas depois. Lindemberg, sem nenhum ferimento, foi preso.

 

Outros dois adolescentes amigos de Eloá foram mantidos em cárcere privado por Lindemberg, mas liberados rapidamente. Iago Vilera era um deles. O jovem ficou sob a mira do revólver por 9 horas. Até hoje ele tenta o impossível: esquecer daqueles dias. "Terrível, coisa que não desejo nem para o meu pior inimigo. Particularmente eu não gosto de ficar falando não, traz má recordação."

 

Testemunhas

Da defesa. Seis jornalistas foram convocados, entre eles, Sônia Abrahão, que entrevistou Lindemberg durante as negociações, e Roberto Cabrini. Só obrigado a comparecer quem mora na cidade onde o julgamento é realizado.

O Tempo

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